

Este blog tem o objetivo de mostrar que defensores de animais são contrários ao racismo e quaisquer formas de preconceito e discriminação.
Reparem os detalhes de cor de pele. Mais uma prova de que Veganismo e abolicionismo pelos Direitos Animais não se opõem, de forma alguma, a qualquer classe ou grupo de pessoas, etnia, etc. e que defender a igualdade de consideração de certos interesses entre diversas espécies não implica em discriminar alguém.
Sentir-se ofendido por ter sua alforria comparada à alforria que os animais merecem mas inda não têm é, sem dúvida, fruto do sentimento antropocêntrico de que somos melhores que as outras espécies, ou seja, é fruto do especismo (e do egocentrismo humano). O especismo, filho do antropocentrismo, faz com que humanos pensem que são superiores a todas as outras espécies, eliminando a ética na hora de se relacionar com elas. Mas esquecem que um cão tem olfato muito mais aguçado que o nosso, um urubu enxerga mil vezes mais, e um gato ouve melhor. Enfim, o especismo faz com que achemos que somos "divindades", enquanto somos animais super limitados, com raríssimas vantagem sobre as outras espécies, e em apenas em alguns poucos aspectos. O especismo é a base da discriminação de todos os humanos com diferenças "inconvenientes", como os deficientes. O especismo normalmente apela dizendo que somos mais inteligentes, sendo que há pessoas em nossa espécie que fogem a essa definição. Deveriam elas ser (mal)tratadas como animais? Ou seria melhor pararmos com a discriminação de espécies (=especismo)? Só por pertencermos à espécie humana devemos ignorar os sentimentos das pessoas que são de outras espécies? Podemos ignorar que animais são pessoas? Vamos ser contraditórios a ponto de achar que um animal precise de um cérebro humano pra sentir dor, sofrer, amar, etc?
Esperamos que o mal-entendido entre holocaustoanimal e afropress seja resolvido logo, pacificamente. Pois um ativista como o Fábio Paiva não entende como alguém se acha tão superior às pessoas de outras espécies (=animais), a ponto de tratá-los como objetos, mercadoria, escravos, etc. Não se adivinha que alguém vá interpretar mal, ou simplesmente ignorar sua filosofia/intenção em publicar um cartaz, e não levar em conta o contexto do protesto em si, e ficar se colocando como vítima, quando, na realidade, as vítimas são os animais, que, conforme as imagens diziam, sofrem da mesma forma que nós (nervo é nervo!), e nem sequer têm o direito de serem animais, pois são coisas, objetos, mercadoria, escravos, alimentos, enfim, tudo, menos pessoas, nessa sociedade especista! Além do mais, alguns internautas escreveram textos ofensivos ou agressivos, alguns com tom de ameaça, mas isso sem nenhuma ligação oficial com o Fábio Paiva, simplesmente porque não são esses "revoltadinhos" que estão na posição de réu, e eles não fazem senão ficar por detrás do teclado descendo lenha, sem a diplomacia vegana.
Fique claro que propomos a igual consideração de interesses entre espécies sencientes (que têm nervos, a princípio, que sentem dor, são capazes de sofrer, de ter vida social, família, enfim, são almas, são pessoas!). Enfim, a igual consideração de interesses não implica em rebaixar ou exaltar ninguém, não desumaniza humanos nem humaniza animais, apenas coloca no mesmo nível os interesses que todos os animais (seres sencientes) têm em comum: direito à vida, à liberdade, à vida social e familiar, à procura por seu alimento, etc. Ainda sobre a questão de "desumanizar humanos" e "humanizar animais", nós, anti-especistas, também somos contra o antropomorfismo (dar características exclusivamente humanas aos animais). E o objetivo nunca foi diminuir um escravo humano, mas sim, ressaltar que escravizar um não-humano é o mesmo crime.
Não sabem os que denunciaram um ativista, que, entre os defensores de animais, na internet, uma das citações mais comuns é: "Entre a brutalidade para com o animal e a crueldade para com o homem, há uma só diferença: a vítima." -Lamartine. Quase que diariamente, dezenas de internautas assinam emails e tópicos de fóruns com essa citação, como se pode facilmente notar no maior grupo de emails de Libertação Animal, com mais de 2 mil participantes: http://br.groups.yahoo.com/group/libertacaoanimal/ e até mesmo na lista do holocaustoanimal no yahoogrupos! A violência é a mesma. O preconceito tem a mesma origem, independentemente do critério usado para discriminação. Essa é a nossa mensagem. União. Olhar mais as semelhanças que as diferenças.
Receio ter feito alguma generalização indevida, mas, como pessoa tolerante, deixo esse texto aberto à revisão e à crítica dos leitores.
Sem mais,
(a quebra das correntes, símbolo sempre usado pelo site holocaustoanimal.org, que, por si só, já é uma evidência de seu abolicionismo pleno e não-racista, de mesma ideologia que o abolicionismo pelo negros, índios, etc).
Sobre a polêmica do Holocausto Animal
É, no mínimo, emblemático o caso da representação impetrada recentemente pela ONG ABC sem Racismo, baseada em denúncia da Afropress, sobre imagens veiculadas pelo site Holocausto Animal, imagens em que escravos africanos amordaçados aparecem justapostos a cães com focinheira e nas quais, também, judeus aprisionados em campos de concentração aparecem lado a lado com diferentes animais em cenas de confinamento e abate. É emblemático, pois ilustra muito bem dois fatos bastante comuns: o analfabetismo funcional e o egoísmo da dor.
Comecemos pelo segundo. Há uma lei natural do ser humano: a minha dor é sempre a maior dor do mundo. E isso vale tanto individualmente (a minha dor de dente com certeza é mais forte do que a do vizinho) quanto coletivamente. Sendo judeu, cresci acostumado ao eterno sentimento de pesar e dor da comunidade com relação aos antepassados exterminados pelos nazistas no Holocausto. Todos os anos, lembramos e lamentamos o fato, oramos, acendemos velas. A dor de nosso povo é incomensurável. Calculo que, na comunidade negra, o sentimento relativo ao período da escravidão seja análogo. Dessa forma, qualquer um que venha tentar equiparar sua dor à nossa já, de antemão, não costuma ser visto com muita simpatia. Ora, que petulância: imaginar que sofre tanto quanto eu! Pior ainda se esse outro for o que milhares de anos de cultura antropocêntrica vieram a estigmatizar como seres "irracionais" e, portanto, inferiores. Comparar a dor humana com a de animais não-humanos, que petulância! Convém lembrar que tanto o massacre dos judeus quanto a escravidão dos africanos tiveram por base a aceitação desse estigma de inferioridade. Não admitir a existência dessa dimensão que se pode denominar "racionalidade", "alma" ou "psiquismo" nos judeus, nos negros ou nos animais é uma forma de exercício de poder. Se é assim, posso usá-los como bem entender, sem enfrentar dilemas morais. É dessa forma, admitindo a inferioridade, que, por exemplo, instituições como o clero (até suas mais altas esferas, no Vaticano) conviveram tranqüilamente com a opressão dos negros e dos judeus. Por esse mesmo mecanismo, agora, todos nós, indivíduos da espécie humana, convivemos com o uso dos animais para satisfação de nossos interesses (não só convivemos com o uso como o temos como perfeitamente natural, sendo quase impensável um mundo sem isso). A postura humana de colocar suas mais desimportantes preferências (satisfação do paladar, busca por testar um cosmético, vestir uma certa roupa) à frente dos interesses mais fundamentais dos outros animais (não sentir dor, crescer em seu ambiente natural, não ser morto) é o que se convencionou chamar, na filosofia dos direitos animais, de especismo, em analogia com palavras tais como racismo ou sexismo. As imagens veiculadas pelo site Holocausto Animal não são nada mais do que uma ilustração desse conceito: dor é dor, exploração é exploração, humilhação é humilhação, não importando a cor da pele, a etnia, o tamanho do nariz e, por incrível que pareça, nem mesmo a espécie. Chegamos aí na questão do analfabetismo funcional.
Certamente, um desavisado que vá olhar as imagens terá, como primeira reação, o ato reflexo de se sentir ofendido, isso devido ao egoísmo da própria dor e ao desconhecimento do conceito de especismo, temperados pela mentalidade antropocêntrica atávica. É aquilo: o sujeito lê (aqui tem um porco, ali tem um judeu; aqui tem um escravo negro, ali tem um cachorro), mas, por falta de informação, não entende o sentido da mensagem, que é bem mais sutil, avesso a interpretações reducionistas do tipo "estão fazendo pouco da minha dor" ou "estão me chamando de porco".
Aliás, as polêmicas imagens, que, como disse, tentam apenas explicitar o conceito de especismo, estão baseadas em trabalhos de diversos filósofos que se debruçam sobre a questão dos direitos animais. Um dos mais eminentes é o australiano Peter Singer, autor do clássico Libertação Animal, de 1975. Na obra, em diversos trechos, Singer invoca barbáries praticadas por humanos sobre outros grupos de humanos (judeus e africanos, inclusive), estabelecendo um paralelo ilustrativo com o tipo de barbárie que todos nós cometemos contra tantos animais sensíveis e conscientes. Singer, por acaso, é judeu, e seus avós pereceram em campos de concentração. Mas a polêmica comparação não é monopólio de Peter Singer ou do site Holocausto Animal.
Se o sujeito abrir uma novela muito interessante chamada O Penitente, de autoria de Isaac Bashevis Singer, judeu e Prêmio Nobel de Literatura, vai se deparar com o seguinte trecho, em que o narrador, um judeu relapso que decide se voltar à espiritualidade e abandonar as coisas mundanas, tornado-se justo e virtuoso, se questiona sobre a exploração dos animais: "Há muito eu chegara à conclusão que o tratamento do homem para as criaturas de Deus torna ridículos todos os seus ideais e todo o pretenso humanismo. Para que este estufado indivíduo degustasse seu presunto, uma criatura viva teve de ser criada, arrastada para sua morte, esfaqueada, torturada e escaldada em água quente. O homem não dava um segundo de pensamento ao fato de que o porco era feito do mesmo material e que este tinha de pagar com sofrimento e morte para que ele pudesse saborear sua carne. Pensei mais de uma vez que, quando se trata de animais, todo homem é um nazista."
Mais ainda, se alguém resolver ler mais um pouco de boa literatura, pode esbarrar com o livro A Vida dos Animais, do Prêmio Nobel, J.M. Coetzee, no qual se lê o seguinte trecho: "Aparentemente, eu me movimento perfeitamente bem no meio das pessoas, tenho relações perfeitamente normais com elas. É possível, me pergunto, que todas estejam participando de um crime de proporções inimagináveis? Estou fantasiando isso tudo? Devo estar louca! No entanto, todo dia vejo provas disso. As próprias pessoas de quem desconfio produzem provas, exibem as provas para mim, me oferecem. Cadáveres. Fragmentos de corpos que compraram com dinheiro. É como se eu fosse visitar amigos, fizesse algum comentário gentil sobre um abajur da sala, e eles respondessem: 'Bonito, não é? Feito de pele judaico-polonesa, é o que há de melhor, pele de jovens virgens judaico-polonesas.' E aí eu vou ao banheiro, e a embalagem do sabonete diz assim: 'Treblinka – 100% estearato humano'. Será que estou sonhando, pergunto a mim mesma? Que casa é esta? E não estou sonhando, não. (...) Calma, digo para mim mesma, você está fazendo tempestade em um copo d´água. Assim é a vida. Todo mundo se acostuma com isso, por que você não? Por que você não?"
Posso ainda dar um exemplo pessoal. Sou escritor e, recentemente, participei de uma coletânea de contos chamada Ficção de Polpa (Editora Fósforo, 2007), e meu conto, de ficção cinentífica, tem por título "Quando eles chegaram". A história é uma tentativa de resposta a uma velha questão da retórica vegetariana: o que nós humanos pensaríamos e sentiríamos se uma espécie alienígena que se julgue superior invadisse nosso planeta e fizesse conosco tudo o que hoje fazemos com os animais? Qual não foi minha surpresa ao perceber que 80% dos leitores haviam enxergado, no meu trabalho, uma metáfora do holocausto judaico, embora eu não tivesse pensado nisso um segundo sequer ao escrever o texto.
Ou seja: o paralelo entre a escravidão, a exploração e a matança de judeus e negros com a escravidão, a exploração e a matança de animais existe, queira eu, Rafael Bán Jacobsen, ou não, queira a ONG ABC ou não, queira a Afropress ou não, queira o Papa ou não. E ela está por aí, é de domínio público: não pertence ao Holocausto Animal, nem a Peter Singer, nem a Coetzee, nem a Bashevis Singer, nem a mim (a rigor, a polêmica campanha do Holocausto Animal nada mais é do que uma simples tradução de uma conhecidíssima campanha do Peta – People for Ethical Treatment of Animals). Na dúvida, pelo bem da justiça, todos devem ser processados, não apenas um certo site tupiniquim, fazendo as vezes de bode expiatório. Sejamos coerentes. Processemos o Peta. Processemos Peter Singer. Processemos Coetzee. Processemos Bashevis Singer. Não, esse não, esse já morreu. Processemos então a Academia Sueca, por ter prestigiado esses dois últimos pusilânimes preconceituosos com o Prêmio Nobel. Processemos Rafael Bán Jacobsen, por acreditar que o paralelo existe e por, apesar de ser judeu, não se sentir violentado pela comparação (sente-se violentado, sim, por um grupo de pessoas de quem nunca ouviu falar se dar o direito de se posicionar por ele e dizer "nós judeus estamos ofendidos"). Processemos o inconsciente coletivo.
Antes disso, porém, recomendo que todos leiam Peter Singer, leiam Coetzee, leiam Bashevis Singer. A leitura é redentora. A leitura engrandece e diminui a ocorrência de interpretações errôneas e sem sentido maior do que aquele ditado pelo nosso egoísmo, nossa ignorância e nossa prepotência.
É a esse ponto que nossa racionalidade nos conduziu: duas guerras mundiais, devastação ambiental, crescimento populacional desenfreado, aquecimento global e até mesmo peleja de ONGs que, no fundo, lutam pelos mesmos ideais – justiça, igualdade e não-violência.
Pobres animais, que não podem reclamar de serem comparados conosco.
Pobres de todos nós, que festejamos nossa racionalidade enquanto o mundo desaba sobre nossas cabeças.
Que a paz esteja conosco – se ainda houver lugar para ela!
Shalom aleichem,
Rafael Bán Jacobsen
(Escritor, físico nuclear, professor, pianista, judeu e, por acaso, vegano)
Porto Alegre, 28 de outubro de 2007
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Rafael Bán Jacobsen é coordenador da SVB-POA
Por isto este blog, para apresentarmos à sociedade o que pensamos, para que não sejamos mais confundidos com racistas o que muito nos ofende e avilta. Eu pessoalmente sou ativista também pelos direitos humanos, participante da Anistia Internacional no Brasil enquanto esta estava ativa aqui no Brasil justamente por sua luta contra a discriminação, por defender aquelas pessoas que eram discriminadas por razões de raça, credo, sexo, orientação sexual, gênero ou quaisquer questões de consciência e muito nos ofende sermos considerados racistas ou preconceituosos em relação a qualquer grupo. Fui também ativista pelas cotas para negros na universidade por entender que a sociedade ainda tem mecanismos discriminatórios importantes que impedem que os negros (e outras minorias excluídas) tenham acesso aos mesmos postos de trabalho e de estudo como lhe garante a lei devido à mentalidade racista e discriminatória que ainda vigora no Brasil. (Não vou me estender aqui, porque a idéia é expor a proposta daqueles que querem acabar com a exploração e sofrimentos dos animais e mostrar como isto não é racista e contrário a outras propostas libertárias de minorias).Na realidade eu apoio o movimento negro e todos os movimentos anti-preconceito. Também me oponho ao preconceito, mesmo se viesse de vegetarianos e veganos e se escrevo isto é porque sei que há um equívoco ao interpretar a proposta do Holocausto Animal como racismo.
Somos é contra qualquer preconceito, a exploração, arbitrariedade e discriminação, mas estendemos nosso conceito de respeito também aos animais a quem queremos libertar e a quem não queríamos mais ver explorados pelo ser humano. Queremos que sejam tratados com respeito e que pudessem usufruir a vida para viver em liberdade também. Também cabe ressaltar que não comparamos negros, judeus ou qualquer grupo com animais e tampouco comparamos sofrimentos, mas não queremos nenhuma crueldade, mesmo com os animais. Nossa comparação se dá quanto aos mecanismos que permitem que se cometa a violência contra aqueles que não podem se defender como aconteceu e infelizmente ainda acontece com todos que não têm voz para se defender. Nossa proposta é de respeito às diferenças e contrária à violência concreta ou simbólica causada devido qualquer tipo de discriminação de raça, credo, gênero, orientação sexual, casta ou grupo social ou qualquer questão de consciência. Opomo-nos sim aos racistas, aos nazistas e neonazistas, aos revisionistas históricos que negam a violência para com os judeus, nos opomos aos grupos que agridem de qualquer forma os homossexuais e quaisquer minorias.
Hoje somos uma minoria também, mas ainda não somos vistos como tal em termos constitucionais, e também pedimos respeito e solidariedade da sociedade e gostaríamos de estender a nossa solidariedade a todas as minorias (humanas e não humanas). Sim, somos uma minoria, já que nosso desejo de não participar da violência para com os animais não é respeitado, já que não há ainda uma mentalidade que nos permita evitar alimentos, roupas e mesmo medicamentos que vão ao encontro de algo que é tão importante para nós que é o respeito para com toda a vida. (Aliás, estes são os termos da lei do meio ambiente que determina que se proteja toda a vida!). Muitos de nós são vegetarianos e veganos pelas questões de cunho ético aqui apontadas para com os animais, mas muitas vezes somos alvos de piadas e desrespeito, mas ainda não temos espaço de defesa e agora fomos até confundidos com racistas.
Como socióloga posso entender que a sociedade demore algum tempo para assimilar um novo paradigma que é o paradigma anti-especista que é a proposta de todos que querem garantir às outras espécies de animais respeito nas diferentes formas e espécies que existem. Não achamos que ser animal é algo ofensivo ou de menos valor, animais tem um valor próprio e não são meros objetos dos seres humanos. Queremos pedir a eles respeito e solidariedade e se possível que seja cumprida a lei que considera crime os maus tratos para com os animais e que todos possam ver a forma cruel a que são submetidos os animais . A palavra especismo é o sinal deste novo paradigma como foi um dia a criação da palavra racismo, sexismo, feminismo e ambientalismo. São palavras que mostraram, à medida que foram criadas, outras mentalidades que se abriam contra a arbitrariedade e preconceito. Agora queremos apresentar ao mundo o quanto a mentalidade especista contém de violência, crueldade e injustiça e queremos outra sociedade sem esta violência e injustiça para com todos os seres! Queremos uma moral que agregue aos valores acumulados pela sociedade como liberdade, igualdade, justiça, direito às diferenças e outros também a compreensão de uma natureza, com a fauna e a flora livres da exploração e dominação humana.
É preciso lembrar ainda que há no grupo Holocausto e simpatizantes vários representantes destas minorias. Há entre nós, negros, judeus, mulheres, homossexuais, “estrangeiros-brasileiros” e representantes de várias minorias discriminadas. Somos favoráveis às causas destas destas minorias, dos negros, dos judeus, mas defendemos também os animais da barbárie a que têm sido submetidos.
Lamentamos que algumas pessoas do grupo Afropress tenham entendido mal nossa proposta e não tenham percebido que nunca tivemos intenção de ofender, ao contrário somos solidários na luta contra o preconceito. Na realidade deveríamos estar somando forças contra toda e qualquer discriminação e não gerar mais divisão de forças contra as estruturas dominantes da sociedade que impõem ainda estas arbitrariedades e injustiças. Não estamos contra negros ou quaisquer minorias, estamos ao lado das minorias e daqueles que não têm voz como é o caso dos animais a quem queremos estender nossa solidariedade. Na causa vegan e vegetariana também não somos homogêneos, como ocorre com outros movimentos e há algumas diferenças de enfoques, mas somos contrários ao preconceito, mesmo se for manifestado por um vegetariano ou vegano e apoiamos o movimento negro. Gostaríamos que o grupo Afropress soubesse que na realidade somos solidários à causa anti-racial que abraçam. Opomo-nos ao preconceito e à violência racial e qualquer forma de discriminação; apenas estendemos nossa solidariedade aos animais que são cruelmente explorados pelos seres humanos.
Este blog é para tratar disto. Comentários serão moderados e não podem conter palavras ofensivas e nenhuma forma de desrespeito para com qualquer grupo (de animais ou humanos). É para que possam entender nossa proposta libertária, nosso desejo de acabar com o preconceito, a discriminação e a violência para com todos os seres. Queremos paz, justiça e respeito para com todos os seres e mesmo para com a natureza, não somente para as futuras gerações de seres humanos, mas pelo seu valor intrínseco.
Eliane Carmanim Lima, 27/10/2007.
Sou psicóloga, socióloga, pesquisadora da UFRGS, também ativista em direitos humanos, ex-membro da Anistia Internacional quando ativo no Brasil e participei da campanha pelas cotas na UFRGS.